Os números oficiais
Hanseníase no Brasil: uma década de alerta.
Entre 2015 e 2024, o Brasil notificou 301.475 casos de hanseníase. A taxa de detecção em 2024 foi de 10,41 casos por 100 mil habitantes, ainda em parâmetro alto.
Casos novos diagnosticados no Brasil em 2024.
Taxa de detecção geral em 2024, ainda classificada como alta.
Casos novos avaliados já com grau 2 de incapacidade física no diagnóstico.
Crianças e adolescentes menores de 15 anos diagnosticados em 2024.
Casos novos em pessoas pretas ou pardas.
Casos novos detectados por exame de contatos, maior percentual da década.
Grau de incapacidade no diagnóstico
O grau 2 cresce de 7,5% em 2015 para 11,5% em 2024, sugerindo atraso diagnóstico.
A hanseníase ainda se concentra em poucos territórios. O Brasil segue entre os países de maior carga.
Fonte: WHO / Global Health Observatory, indicador “Leprosy — number of new cases”, 2024. Valores são números absolutos de casos novos reportados, não taxa de incidência por população. Os rótulos fixos priorizam Brasil, Índia e Indonésia; os demais países com dados permanecem interativos por hover, foco ou toque.
A doença
A hanseníase começa antes do que o olho consegue ver.
O Mycobacterium leprae afeta pele e nervos periféricos. A doença pode permanecer silenciosa por meses ou anos enquanto o dano neural se instala.
O PCDT do Ministério da Saúde define como sinal cardinal a presença de lesões ou áreas da pele com alteração de sensibilidade térmica, dolorosa ou tátil. Em outras palavras: a doença não é apenas uma mancha. É uma alteração neurológica que aparece na pele.
O fundador
Da observação clínica à construção de uma nova ferramenta.
“A tecnologia precisa chegar justamente ao ponto em que o exame clínico ainda depende de métodos pouco padronizados.”
Dr. Rodrigo Alves é médico dermatologista em São José dos Campos e fundador da SKINTRONICS. Especialista em Dermatologia pela UNIFESP, realizou aperfeiçoamentos no New York Institute of Technology, Harvard Medical School e University Medical Center Groningen, na Holanda.
A experiência com doenças da pele, diagnóstico detalhado e casos complexos aproximou prática clínica e pesquisa aplicada. Dessa inquietação nasceu a proposta de transformar o teste da sensibilidade térmica em um procedimento mais objetivo, portátil e reprodutível.
Pesquisa parceira
Dra. Simone Vitor: colaboração clínica para transformar protótipo em evidência.
Médica dermatologista, Dra. Simone Vitor será pesquisadora parceira na etapa clínica do projeto, participando da padronização da coleta de dados e da comparação entre o dispositivo SKINTRONICS e o método tradicional de tubos.
A doença em imagens
Reconhecer cedo muda o que vem depois.
A pele que examinamos
A doença começa onde o olho não enxerga.
Uma área aparentemente discreta pode esconder a alteração mais importante: a perda de sensibilidade.
A solução
Um instrumento portátil para sentir o que o olho não vê.
A SKINTRONICS desenvolve um dispositivo médico portátil para teste da sensibilidade térmica da pele. Ele entrega estímulos quente e frio de forma controlada, reduzindo improviso no ponto de cuidado.
Como funciona
Estímulo. Resposta. Registro.
O profissional posiciona o dispositivo sobre a área suspeita. O sistema aplica estímulos térmicos controlados. O paciente informa a percepção. O exame registra a resposta de forma organizada.
Documentos oficiais
Escolha a fonte. Baixe o documento.
Uma pequena biblioteca com indicadores oficiais, estratégia global e atlas clínico para contextualizar o projeto.
Boletim Epidemiológico de Hanseníase
Número especial com dados recentes do Brasil, incluindo casos novos, taxa de detecção, grau de incapacidade física no diagnóstico, prevalência, cura, abandono, contatos e menores de 15 anos.
Baixar boletimRede em formação
Uma tecnologia médica nasce do encontro entre especialidades.
A proposta FAPESP organiza o desenvolvimento em frentes complementares. Os prestadores e parceiros serão apresentados nominalmente após formalização e autorização.
Do circuito de bancada a uma arquitetura confiável.
A engenharia eletrônica integra sensores, controle térmico, alimentação e sinalização em um sistema preparado para ensaios repetíveis e evolução do protótipo.
Forma, ergonomia e segurança precisam funcionar juntas.
O design transforma a tecnologia em instrumento médico utilizável, articulando desenho industrial, modelagem tridimensional, montagem, higienização e conforto durante o exame.
A interface térmica depende de precisão material.
A cabeça metálica transmite o estímulo à pele. A proposta prevê usinagem CNC de um lote piloto em alumínio 6061 ou material equivalente, com controle dimensional e acabamento apropriado.
Dados claros para decidir o próximo passo.
A bioestatística estrutura o estudo piloto comparativo, reduz vieses e transforma medidas técnicas e clínicas em evidência útil para orientar validação e desenvolvimento.
Desempenho demonstrado. Risco organizado. Caminho regulatório iniciado.
Esta frente conecta validação metrológica, análise inicial de riscos e preparação regulatória para uma futura regularização do dispositivo médico junto à ANVISA.
A base já foi construída.
Antes da pesquisa clínica, houve uma sequência concreta de proteção intelectual, amadurecimento técnico e criação da empresa. É esse percurso que permite organizar agora uma rede multidisciplinar.
PIPE Fase 1: demonstrar viabilidade.
A proposta participa da seleção do PIPE Jornada Tecnológica - Saúde. Nesta etapa, o objetivo é reduzir as principais incertezas técnico-científicas e produzir evidências para decidir com rigor o próximo ciclo.
PIPE Fase 2: desenvolver a pesquisa.
Com a viabilidade demonstrada, a Fase 2 poderá aprofundar o desenvolvimento da pesquisa para inovação. Pelas normas do PIPE, essa fase pode durar até 24 meses e incluir atividades preliminares de inserção no mercado.
Do produto validado ao ponto de cuidado.
A estratégia comercial prevista combina canais institucionais e profissionais. O dispositivo precisa chegar a quem examina a pele, com treinamento, suporte e rastreabilidade compatíveis com uma tecnologia médica.
O paciente é o maior beneficiado.
Toda a jornada só faz sentido se ajudar a reconhecer alterações sensitivas mais cedo, apoiar decisões clínicas e reduzir o risco de dano neurológico permanente. Tecnologia, aqui, é uma forma de cuidar melhor.
Conexões
Quem queremos ao lado.
Para chegar ao paciente, um dispositivo médico precisa de uma rede: ciência, clínica, engenharia, regulação, produção, investimento e saúde pública.
Capital para validação clínica, ensaios técnicos, registro e escala.
Ambulatórios, hospitais universitários e centros de referência.
Eletrônica, metrologia, firmware, qualidade e manufatura.
Equipes e gestores que precisam de diagnóstico padronizado.
Participando da seleção do programa que transforma ciência em tecnologia médica.
A SKINTRONICS está participando da seleção da Chamada de Propostas para o Programa PIPE Jornada Tecnológica - Saúde - Fase 1, iniciativa voltada a projetos inovadores com potencial de pesquisa aplicada, validação e desenvolvimento tecnológico.
A chamada dialoga diretamente com o estágio atual do projeto: transformar um protótipo de dispositivo médico portátil em uma solução testável, validável e preparada para avançar em direção ao uso clínico.
Conhecer o PIPETração
Onde estamos.
Depósito da patente
Proteção da tecnologia central do dispositivo.
Patente concedida pelo INPI
Vigência até 2040.
Incubação e amadurecimento técnico
Parque Tecnológico de São José dos Campos, ecossistema Nexus Hub.
SKINTRONICS constituída e PIPE Fase 1
Empresa criada, proposta estruturada e participação na seleção da chamada FAPESP-PIPE Saúde 2026.
Validação técnico-clínica e PIPE Fase 2
Aperfeiçoamento do produto, pesquisa ampliada, documentação técnica e estratégia regulatória.
Adoção institucional e profissional
Setor público, serviços privados e profissionais de saúde conectados por treinamento, suporte e qualidade.
Diagnóstico mais precoce para o paciente
Uma ferramenta mais objetiva e portátil para apoiar decisões clínicas e reduzir incapacidades evitáveis.
Memória e reparação
A história da hanseníase também é uma história de separação.
Durante décadas, uma política sanitária baseada no isolamento rompeu famílias e ampliou o estigma. As decisões e iniciativas de reparação atuais mostram que esse passado ainda não terminou.
Quando uma política de saúde separava pais e filhos.
O documentário Preventório: A história, produzido pela TV Câmara de Jacareí, recupera memórias da instituição que recebeu filhos de pessoas internadas compulsoriamente por hanseníase. Muitas crianças cresceram afastadas da família e sob o mesmo estigma dirigido aos pais.
Assistir no YouTube ›Um caso volta a ser analisado.
O ministro Flávio Dino determinou novo julgamento de um pedido de indenização apresentado por um homem separado dos pais ainda criança, afastando a prescrição aplicada nas instâncias anteriores.
Ler no Migalhas ›O STF define um novo marco temporal.
O Supremo reafirmou que filhos separados dos pais pela internação compulsória têm cinco anos, contados da publicação da ata da ADPF 1060, para buscar indenização contra a União.
Ler no STF ›A reparação também procura conciliação.
A Justiça Federal passou a orientar o encaminhamento de processos aos centros de conciliação, com base em plano da AGU destinado a pessoas atingidas pelas políticas de isolamento e às famílias separadas.
Ler na AGU ›Vamos levar diagnóstico precoce para onde ele precisa estar.
Se você é investidor, parceiro clínico, pesquisador, gestor público, fabricante ou prestador técnico, fale com a SKINTRONICS.
falecom@odermatologista.com